Você sabe o que é o Painel USP de Gêmeos?
- paineluspgemeos

- 4 de mai.
- 5 min de leitura
Te convidamos a conhecer nossa história e descobrir o que fazemos por aqui!
O Painel USP de Gêmeos surgiu em 2015 a partir do sonho da Professora Emma Otta em estudar gêmeos. O Instituto de Psicologia da USP abraçou a proposta e, dois anos depois, o Painel foi oficializado. Na época, o objetivo principal era cadastrar gêmeos para fazer pesquisas e tentar entender o comportamento deles tanto pela ótica da genética quanto pela do ambiente. Conforme foi crescendo, o Painel adotou uma visão mais interdisciplinar e um enquadramento holístico, passando a buscar uma compreensão ampla do desenvolvimento, da saúde e do bem-estar de gêmeos.
Reunindo mais de 40 pesquisadores e profissionais de diferentes áreas [saiba mais abaixo] e adotando metodologias de pesquisa cada vez mais inovadoras, o Painel tem impulsionado os estudos no Brasil e também na América Latina, sempre com foco na valorização de populações de gêmeos geneticamente diversas e culturalmente plurais.
No início, o Painel USP de Gêmeos contava com poucos colaboradores e funcionava como um projeto no âmbito de um CEPID da FAPESP sobre bem-estar e comportamento humano. Ainda assim, já fazia um trabalho pioneiro que foi sendo valorizado ao longo dos anos até que, em 2023, tornou-se um Projeto Temático da FAPESP: “Painel USP de gêmeos: pesquisas sobre comportamento, saúde e bem-estar de gêmeos”. Isso permitiu ampliar não somente o número de estudos realizados, mas também o alcance e a representatividade da ciência voltada aos gêmeos. Além disso, o Painel passou a atuar ainda mais como meio de divulgação cultural para aproximar ciência e sociedade.
“A qualidade e o impacto dos estudos e projetos do Painel têm sido constantemente reconhecida com diversos prêmios internacionais”, afirma a psicóloga Tania Kiehl Lucci, assistente de pesquisa do Painel USP de Gêmeos. “Além disso, temos promovido diferentes ações que nos permitem estar cada dia mais perto das pessoas, tanto de gêmeos quanto de seus familiares e também do público em geral, que passa a ter interesse sobre o tema."
Cadastro nacional e Encontro de gêmeos
O Painel é o único cadastro ativo no Brasil e na América do Sul. São mais de 8 mil pessoas cadastradas, mas esse número ainda é pequeno perto de outros países pelo mundo. Por isso, um dos grandes desafios é ampliar a lista de participantes.
“Queremos nacionalizar ainda mais o nosso cadastro, por isso temos feito parcerias com universidades de vários estados brasileiros, para que mais gêmeos de locais diferentes participem do Painel e nos ajudem a mostrar toda a diversidade dessa população, que é um dos pontos essenciais do nosso trabalho”, diz Tania.
Além disso, desde 2016, o Painel promove anualmente o Encontro de Gêmeos na USP, um evento realizado em formato presencial ou on-line que reúne gêmeos, familiares, pesquisadores e pessoas interessadas no tema de qualquer lugar do Brasil e do mundo.
A programação inclui palestras, rodas de conversa e atividades recreativas que exploram diferentes aspectos da gemelaridade, promovendo a troca de experiências entre participantes e aproximando o público das iniciativas desenvolvidas no Painel.

Ampla rede nacional e internacional
O Painel USP de Gêmeos conta com colaboradores e docentes de campos distintos do conhecimento, como biologia, odontologia, medicina, comunicação e matemática, o que contribui para a riqueza e a diversidade de sua produção científica e cultural.
“Temos crescido muito nos últimos anos e buscamos seguir o tripé da universidade, que abarca pesquisa, ensino e extensão, além de algo muito importante para o nosso trabalho, que é a inclusão”, explica Ricardo Prist, gerente de projetos do Painel USP de Gêmeos. “Com a ajuda dos nossos muitos parceiros, temos conseguido oferecer um excelente atendimento clínico aos gêmeos e prestação de serviços aos pais, e ainda promover divulgação científica de qualidade sobre o tema da gemelaridade.”
Entre os colaboradores mais atuantes em pesquisas e iniciativas desenvolvidas pelo Painel, destacam-se as Faculdades de Odontologia e Medicina da USP, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP-USP).
Como parte da rede nacional que trabalha em parceria com os projetos sobre gêmeos, estão listados nomes como Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Espírito Santo, Universidade Federal da Bahia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade Estadual de Campinas, Universidade Estadual de Londrina, Universidade do ABC e Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Já a rede internacional conta com o apoio importante da Universidad de la República, no Uruguai; da California State University, Fullerton, nos Estados Unidos; da Universitè de Nanterre, na França; do Longitudinal Israeli Study of Twins (LIST), Hebrew University of Jerusalem, em Jerusalém; do Developmental Psychology Lab, University of Münster, na Alemanha, e do Department of Psychology da Royal Holloway, University of London, na Inglaterra.
Destacamos ainda algumas parcerias de longa data com a pesquisadora Nancy Segal, da California State University, que é uma psicóloga evolucionista reconhecida mundialmente por seu trabalho com gêmeos separados quando bebês que se reuniram na vida adulta, e com a Professora Rana Esseily, da Universitè de Nanterre, na França, que acompanha bolsistas do Painel que realizam pesquisas com gêmeos e familiares brasileiros e franceses.
Avanços, desafios e sonhos realizados
A primeira vez que a Professora Emma Otta pensou em estudar gêmeos foi durante a década de 1970, quando ainda era aluna de graduação em psicologia. Naquela época, não foi possível realizar esse sonho, mas ele viraria realidade mais de 40 anos depois.
“O mainstream da psicologia naquela época era o behaviorismo e eu tive a chance de entrar em contato com a disciplina de etologia, que apresentava uma alternativa, cientificamente embasada, à visão de tabula rasa segundo a qual os bebês humanos nascem como uma ‘folha em branco’, em que o comportamento é moldado pela experiência e pelo ambiente, por meio de aprendizagem”, explica Profa. Emma. “Descobri que havia uma outra abordagem que apresentava evidências de que os bebês nascem com predisposições inatas que orientam o comportamento e a aprendizagem, muitas vezes dentro de períodos sensíveis do desenvolvimento.”

Outro ponto importante para a Profa. Emma foram os estudos sobre comportamento e temperamento de gêmeos realizados por Nancy Segal, no Minnesota Study of Twins Reared Apart (MISTRA). “Fiquei fascinada por essas pesquisas. E mesmo não havendo abertura para criar o Painel antes, eu nunca desisti. Consegui realizar esse desejo muitos anos depois, quase perto de me aposentar, e Nancy Segal tornou-se minha amiga e pesquisadora associada do Painel USP de Gêmeos. É participante ativa da transformação daquele sonho que virou realidade.”

Ainda segundo a Profa. Emma, tem sido especial acompanhar a trajetória do Painel USP de Gêmeos ao longo do tempo, observando o crescimento da equipe em seu objetivo interdisciplinar, a formação de importantes parcerias pelo mundo e as novas possibilidades que continuam surgindo.
“Uma das nossas grandes conquistas hoje é poder fazer pesquisas com faixas etárias cada vez menores. Isso nos ajuda a mensurar com mais precisão muitos dos aspectos que estamos acompanhando por meio de uma investigação mais proativa. Por exemplo, alguns colegas da Medicina Fetal do HCFMUSP, participantes do Projeto Temático FAPESP, estão observando expressões fetais de fetos, mostrando que no final da gestação os bebês já apresentam expressões faciais de riso e de choro”, conta Profa. Emma. “Outros colegas e estudantes da Faculdade de Psicologia da USP de Ribeirão Preto estão estudando choro de bebês gêmeos recém-nascidos. E nós temos visitado muitos bebês gêmeos em suas casas, rompendo barreiras de comunicação e nos aproximando dos pais para criar um vínculo de confiança com o nosso trabalho. Isso é muito importante e mostra que estamos na rota certa”, celebra a criadora do Painel.
Já entre os desafios para o futuro, está o de conseguir sistematizar cada vez mais a base de dados do Painel USP de Gêmeos. “Estamos avançando nisso, aos poucos, mas sempre com foco em facilitar o acesso dos pesquisadores e abrir novos caminhos de pesquisa voltada aos gêmeos."




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