Causas genéticas no nascimento de gêmeos - por Emma Otta


Foto: site comunidade alo bebê


Apresentaremos aqui, de forma resumida, o que se sabe sobre o processo de gemelaridade humana com ênfase em processos biológicos e aspectos genéticos. Enquanto os mecanismos e fatores que contribuem para o nascimento de gêmeos dizigóticos ou fraternos (DZ) estão se tornando bem conhecidos, o mesmo não ocorre no que diz respeito ao nascimento de gêmeos monozigóticos ou idênticos (MZ). Muito ainda continua desconhecido em relação aos MZs. O consenso é que são fenômenos biologicamente distintos.


O nascimento de gêmeos DZ é um fenótipo complexo influenciado por vários genes. Os mecanismos envolvidos atuam no desenvolvimento de folículos no ovário quando, em vez de um óvulo ser liberado, dois folículos amadurecem, e ambos os oócitos são liberados para fertilização. A fertilização subsequente de dois óvulos por dois espermatozóides resulta na gestação de gêmeos DZ. A concepção espontânea de gêmeos DZ tende a ocorrer em famílias e está associada a concentrações elevadas do hormônio folículo estimulante (FSH) na mulher. A quantidade deste hormônio parece variar em função de diferentes fatores como região geográfica, origem étnica, e paridade crescente. Em relação às regiões geográficas as taxas mais altas de gêmeos são registradas na África subsaariana (cerca de 23 nascimentos gemelares por 1000 partos), enquanto as taxas mais baixas são registradas na Ásia (cerca de 5–6 por 1000 partos). Gestações de gêmeos são mais elevadas em mulheres altas, com maior peso e com maior idade, atingindo um pico por volta dos 37 anos de idade. Pesquisadores propõem que o aumento da predisposição ao nascimento de gêmeos DZ com a idade pode ter ocorrido devido ao favorecimento pela seleção natural de eventos de ovulação dupla. A poliovulação representaria máximo aproveitamento da chance de reprodução no final da carreira reprodutiva da mulher.


A incidência de gêmeos MZ, diferentemente daquela de gêmeos DZ, é independente da altura, peso, paridade ou idade da mãe. A taxa de nascimentos MZ apresenta-se mais constante ao redor do globo (cerca de 4 por mil partos), sugerindo que não seja influenciada pela genética. Há alguns relatos de famílias em que o nascimento de gêmeos monozigóticos (MZ) ocorre com mais frequência do que o esperado, embora não haja demonstração cabal de contribuição genética. Uma hipótese dos pesquisadores é que o gene PITX2 esteja envolvido.




Fontes:

Jeffrey John Beck Molecular genetic investigation of twins, families, and populations. The Netherlands: Ridderprint.

Beck, J.J., Bruins, S., Mbarek, H., Davies, G.E., Boomsma, D.I. (2021) Biology and Genetics of Dizygotic and Monozygotic Twinning. In: Khalil, A., Lewi, L., Lopriore, E. (Eds) Twin and higher-order pregnancies, Springer Nature.

Hazel, W.N., et al., (2020). An age-dependent ovulatory strategy explains the evolution of dizygotic twinning in humans. Nat Ecol Evol,



Texto: Emma Otta

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