Existe interação social entre fetos gêmeos ainda no útero?

Com a técnica de exames de ultrassom 4D hoje temos acesso à imagens mais nítidas da vida intrauterina que permitem o detalhamento do comportamento e o estudo das expressões faciais dos fetos. Atualmente é comum ver imagens do início do segundo trimestre de gestação mostrando comportamentos como chupar o dedo, expulsar a língua, bocejar, e até mesmo exibindo expressões faciais de choro e o riso, mesmo não sendo possível concluir que estejam associadas ao sofrimento ou alegria. Recentemente pesquisadores observaram que as características espaciais e temporais dos movimentos dos fetos não eram descoordenados e pareciam ter um nível avançado de planejamento motor. A partir desta descoberta resolveram estudar os movimentos de fetos gêmeos, pois até então o toque entre eles era atribuído ao comportamento reflexo, um comportamento automático não intencional... A pesquisa mostrou que os toques dirigidos ao irmão eram mais longos e aumentaram a frequência conforme o avanço da gestação em relação aos toques auto dirigidos, que eram mais curtos e diminuíram ao longo do tempo. Esta pesquisa deverá ser replicada com um número maior de participantes com o objetivo de confirmar os resultados. Mas se forem confirmados, esta diferença sugere que os movimentos não são acidentais, mas que existe a intenção de atingir o co-gêmeo e portanto uma forma de interação social inicial entre irmãos ainda no útero!   

 

Referências:

 

AboEllail, M. A. M., & Hata, T. (2017). Fetal face as important indicator of fetal brain function. Journal of perinatal medicine, 45(6), 729-736.

 

Castiello, U., Becchio, C., Zoia, S., Nelini, C., Sartori, L., Blason, L., ... & Gallese, V. (2010). Wired to be social: the ontogeny of human interaction. PloS one, 5(10), e13199.

https://doi.org/10.1371/journal.pone.0013199

 

Yan, F., Dai, S. Y., Akther, N., Kuno, A., Yanagihara, T., & Hata, T. (2006). Four‐dimensional sonographic assessment of fetal facial expression early in the third trimester. International Journal of Gynecology & Obstetrics, 94(2), 108-113.

Texto escrito por:

Tania Kiehl Lucci

É psicóloga, atualmente doutoranda do Programa de Pós graduação do departamento de Psicologia Experimental da USP e Funcionária da USP do Programa  Técnico de Nível Superior para Grupos de Excelência (PROCONTES).

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